Café du Mond

Página 2 de 2 Anterior  1, 2

Ver o tópico anterior Ver o tópico seguinte Ir em baixo

Café du Mond

Mensagem por Behati Chamberlain McCain em Qua Maio 24, 2017 8:17 pm

Relembrando a primeira mensagem :


Café du Mond


É um típico café francês, bem decorado, sempre bem frequentado, porém em seu interior, vende doces da culinária bruxa ou trouxa, bem variados e as comidas aqui, de todas as culinárias são perfeitamente feitas, nada imperfeito sai da cozinha, ou mesmo frio, exceto o fato da comida ser servida fria.
rpghogwartsschool.com



god is a woman
You, you love it how I move you You love it how I touch you My one, when all is said and done You'll believe God is a woman And I, I feel it after midnight A feelin' that you can't fight My one, it lingers when we're done You'll believe God is a woman

Behati Chamberlain McCain
avatar

Posts : 454
Idade : 29
Localização : Cannes, França — Academia de Magia Beauxbatons

Ficha Mágica
Ano Escolar: Concluido
Nível do Personagem: Merlin da nova era Merlin da nova era
Casa: Noble

Administradores
Administradores

Voltar ao Topo Ir em baixo


Re: Café du Mond

Mensagem por María Julieta de la Cruz em Qua Fev 21, 2018 4:53 pm




Hello Sweetie

Not a spoiler!


Se algum dia por ventura eu precisasse ser bajulada por alguém para elevar minha autoestima, era só entrar em contato com Jean, fazer uma voz tristinha e de choro e então pronto, lá estariam aquelas palavras incentivadoras e exageradamente poéticas que ele despejava sempre que me via. Era incrível como um ser humano poderia ser tão devoto de outro que conhece apenas o que deixa revelar, acho que essa é a sensação que Deus tem sempre que o louvam.

O brilho naqueles olhos poderia iluminar a lua daqui da terra tamanha era a sua felicidade em me ver. Sempre achei perigoso ser muito exagerado nas emoções, e de certa eu me preocupava com Jean. Se ele era tão exagerado comigo estando a sós ou não, como deveria ser com outras pessoas? Me preocupava a possibilidade de o machucarem com palavras ruins e afiadas. Este era um mundo cão, e que não perdoava os fracos.

Exagerado como sempre. — Comentei, dando um passo discreto para trás enquanto ele fazia toda aquela reverência, como seu eu fosse alguma princesa da Inglaterra ou sei lá o quê que estivesse diante de um súdito. Estendi a mão, já percebendo o que ele iria aprontar de tão cavalheiresco ali, e deixei que a pegasse com extrema delicadeza. Aquela altura já havíamos atraído a atenção dos trouxas que estavam no café, e com certeza seríamos pauta nas conversas dos casais que caíram na rotina ou até mesmo curiosos que estavam me filmando e fotografando naquele instante.

Sentei-me na cadeira, logo depois de ser guiada e apoiei o cotovelo direito no braço da cadeira, apoiando o rosto na mão, deformando minha bochecha, porém exibindo a cor das unhas e seu tamanho. A mão esquerda, repousada sobre a mesa, não demorou muito para ser coberta pela mão de Jean, que estava, mais uma vez, exagerando em seus sentimentos. Sorri educadamente diante de suas afirmações, raramente eu abria a boca para falar besteira, então preferia deixá-lo me cortejar o resto da vida se quisesse. — E você continua exagerado, o que já lhe disse sobre ser tão vulnerável diante das pessoas?

[/b][/center]



María Julieta de la Cruz
avatar

Posts : 12
Idade : 16
Localização : Los Angeles, Estados Unidos

Horned Serpent
Horned Serpent

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Café du Mond

Mensagem por Jean-Auguste Bertrand em Qua Fev 21, 2018 7:27 pm

Jean sempre fora muito impulsivo, fosse com seus sentimentos ou com suas atitudes. Entretanto, o seu maior problema era o fato de não racionalizar determinadas situações recorrentes em sua vida. E Lilliana sabia disso. Talvez o conhecesse dos pés à cabeça e soubesse numerar seus problemas pessoais de cor, mas, como todo ser humano, Jean possuía uma vala recoberta por sentimentos muito profundos, desconhecidos por seu exterior e até por si mesmo; pelo menos por enquanto. O rapaz atravessava no momento uma passarela tênue entre a infância e a vida adulta, na qual seus sentimentos eram expressados com muito mais intensidade. Muitas vezes tinha mudanças súbitas em seu humor, sem explicação. Já havia pensado em visitar um psiquiatra, mas seus pais estavam muito mais preocupados com as roupas que vestia de que sua saúde mental.

Após ouvir as palavras ácidas da garota, o mesmo sorriu e retirou com rapidez a mão que cobria a da mesma, avidamente mexendo no cabelo, ainda um pouco úmido pela brilhantina. "Só estava sendo educado", exclamou, um sorriso cínico tomando conta de seus lábios. O sentimento de amor que nutria pela moça fora abafado instantaneamente. Não necessariamente por suas palavras duras, mas algo havia acontecido. Não era ela que estava diferente; Jean sentia-se estranho. O sorriso que ilustrava sua face dissolveu-se numa expressão séria. "O que acha que pode acontecer se eu for exagerado?", mordeu o lábio, esperando a resposta da menina com um olhar provocante. "Exagerado, jogado aos seus pés, eu sou mesmo exagerado, adoro um amor inventado...", cantarolava baixinho.


jean-auguste rené bertrand
Jean-Auguste Bertrand
avatar

Posts : 21
Idade : 18
Localização : Paris, França

Ficha Mágica
Ano Escolar: Concluido
Nível do Personagem: Trasgo Trasgo
Casa: Noble

Sociedade Magica
Sociedade Magica

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Café du Mond

Mensagem por María Julieta de la Cruz em Seg Fev 26, 2018 8:55 pm




Hello Sweetie

Not a spoiler!


Nunca fui fã de romance, acho que, desde criança eu nunca me interessei por finais felizes de casais, nunca quis ser uma princesa em perigo para que um belo príncipe a cavalo viesse me salvar. Os vilões eram sempre mais interessantes do que as princesas sonsas e burras, e talvez por esse motivo eu não gostava de ver filmes de príncipes e princesas, a menos que o enredo fosse algo diferenciado, como Anastasia por exemplo, baseado numa história real. Ou Frozen, ou Valente (essa era a minha favorita)

Talvez fosse por isso que, na maioria das vezes, eu conseguia iludir as pessoas (não que eu desejasse isso, mas acabava acontecendo) que eventualmente se apaixonavam por mim (e não foram poucas) ao contrário de mim, quando eu me apaixonava, as pessoas que confessavam seu amor geralmente recebiam um iceberg em forma de resposta. Nunca fui de ter um coração batendo vivo e ardente em meu peito, meus sentimentos ficavam armazenados num congelador na minha casa e meu coração está dentro do estômago de uma baleia da Noruega.

Mas eu sou meio...mutável. Não sei estar no mesmo modo ou da mesma maneira com as pessoas o tempo todo, uma hora irei acabar vacilando ou sendo complacente com alguém que se dedica tanto, e vou acabar demonstrando um fragmento de interesse para alegrar a pessoa. Um erro terrível, pois acabam se tornando grudentas demais, e fica complicado se livrar delas sem ser grosseira.

Eu sei disso — Respondi, levando as duas mãos ao rosto de Jean e encaixando-o entre elas.  — Eu te repreendo pois me preocupo com você. Sou sua amiga acima de tudo, e você sabe que meus amigos são como meus filhos para mim. — Não sou fã de crianças, mas possuía uma necessidade incrível de proteger meus amigos, de aconselhá-los e sempre ajudar quando necessitavam de mim, eu me sentia feliz por ter alguma importância em suas vidas ou saberem que podem contar comigo a qualquer momento.

Bem... — Comecei, retirando as mãos de seu rosto e pousando-as em meu colo, baixando a cabeça por um momento. — O que pode acontecer é: 1) se for exagerado em emoções positivas como alegria,felicidade,amor, o mundo vai pisar em você por achar que é idiota, e tentar te passar a perna. 2) se forem emoções negativas como ódio, rancor, vingança, o mundo vai achar que você é obsessivo e talvez até louco, o que pode acabar fazendo-o ser internado, morto ou preso. 3) se for em emoções neutras como indiferença e frieza, o que eu particularmente acho incrível, o mundo vai achar que você é muito egoísta e rude, talvez até antipático, e podem, se você souber como fazer isso da forma certa, admirá-lo ou conquistar uma parceria e/ou amizade com pessoas mais tolerantes a isto, e para quem você gradualmente poderá se abrir, mas sem muito exagero — levanto a mão direita, erguendo o indicador para chamar a atenção para as últimas palavras. — por isso acredito que você deveria saber dosar suas emoções e sentimentos, deixar-se levar muito mais pela razão e ser menos impulsivo. Caso não consiga, sugiro que seja exagerado no terceiro quesito, acrescentando um certo sarcasmo e ironia, inteligência e lábia também,
pois vai precisar.


Nunca pensei que estaria sendo tão sincera com Jean, o que foi que deu nele?



María Julieta de la Cruz
avatar

Posts : 12
Idade : 16
Localização : Los Angeles, Estados Unidos

Horned Serpent
Horned Serpent

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Café du Mond

Mensagem por Jean-Auguste Bertrand em Ter Fev 27, 2018 3:51 pm

Jean observava atentamente os lábios inquietos da menina moça, atento a suas palavras. Seu coração acelerou bruscamente ao ter seu rosto envolvido pelas mãos macias da jovem, contudo, fez o que pôde para manter uma expressão indiferente em sua face. Suspirou, volvendo o olhar para o tampo lustrado da mesa. Tentou atentar-se para o discurso de Lilliana, analisando tais informações em sua mente. Esperou-a terminar de falar, para, assim, poder expor suas ideias. "Eu a entendo, Lily", aproximou-se sutilmente, curvando o torso perante a mesa. "Mas não precisa se preocupar comigo"; sua face, antes tomada por uma expressão séria, fora dissolvida num sorriso tímido, um tanto sofrido. Aparentava esconder uma parte de si naquela tarde. Jean estava confuso, estressado; entretanto, em sua mente, seria pior se compartilhasse as verdadeiras razões para tais sentimentos com a amiga. Tratava-se de algo perigoso, involátil. Não arriscaria envolver Lily naquela situação.

Tudo havia começado há alguns meses atrás, quando seu pai o havia convidado para uma visita em seu escritório, com o aparente propósito de dividir o restante de bebida que ocupava sua preciosa garrafa de Courvoisier. Conversaram sobre diversas pautas. Responsabilidade. Finanças. Assuntos considerados usuais por muitos. Mas seu catarse iniciou-se ao descobrir a origem da renda de sua família. Seu pai não hesitou antes de confessar seus pecados. E, após algum tempo, muitas situações das quais vivenciou em sua companhia passaram a fazer sentido. Jean, por dezoito anos de sua breve vida, acreditou piamente que sua família havia construído seu majestoso império financeiro a partir de suas inúmeras franquias da France Literie, uma empresa trouxa responsável pela fabricação e venda de colchões e afins. "De fachada?", repetia, incrédulo, as mãos trêmulas envolvendo a taça de conhaque. Observou seu pai mover a cabeça em afirmação, degustando sua bebida frivolamente. "Você é um de nós, rapaz. Sang de mon sang. E agora, há de trabalhar conosco. Será um homem de verdade", o mesmo sorria.

O rapaz balançou sutilmente a cabeça de um lado para o outro em função de esquecer tais lembranças. "Vamos pedir?", indagou, alargando o sorriso que ilustrava sua face. Alcançou o menu num balcão próximo à mesa e caminhou seus olhos pelo tal, rapidamente o entregando para a moça à sua frente. "Monsieur, s'il vous plaît", gesticulou para o garçom situado atrás do balcão. "Gostaria de um café gourmand", cerrou os lábios. Tornou a fitar a morena, esperando a mesma fazer seu pedido.


jean-auguste rené bertrand
Jean-Auguste Bertrand
avatar

Posts : 21
Idade : 18
Localização : Paris, França

Ficha Mágica
Ano Escolar: Concluido
Nível do Personagem: Trasgo Trasgo
Casa: Noble

Sociedade Magica
Sociedade Magica

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Café du Mond

Mensagem por María Julieta de la Cruz em Ter Fev 27, 2018 5:03 pm




Hello Sweetie

Not a spoiler!


Jean? Jean, você está me ouvindo? — Perguntei, estalando os dedos na frente de seu rosto. Parecia que ele estava completamente fora do ar e eu estava falando com uma parede ou uma porta, e era uma das poucas coisas que eu detestava em alguém. Estreitei as sobrancelhas, observando-o com um olhar mais avaliativo, e havia algo em seu rosto que não prenunciava boas coisas. —Você tá vem mesmo? — Voltei a perguntar, mesmo que me dissesse para não me preocupar com ele, o que era praticamente impossível, mesmo estando tanto tempo separados, eu sempre dava um jeito de ficar de olho nele. — Essa ladainha não me convence. Me conta o que tá acontecendo. Você parece que sai do ar quase o tempo todo, a sua antena quebrou?? — Pergunto, sendo levemente sarcástica, mas ele parece ignorar meus questionamentos.

Suspirei, dando-me por vencida no momento. Uma hora ou outra ele haveria de me dizer o que estava acontecendo, se não fosse agora, seria em outra ocasião. Mas naquele instante, preferi seguir sua "onda" e concordar com suas ideias.
Apanhei o cardápio, correndo os olhos pelo excelente design do objeto, observando com paciência os ingredientes das bebidas e dos salgados, deveria pedir um clássico ou algo inovador? Optei pelos favoritos de qualquer maneira.
Je veux un cappuccino avec lait supplémentaire et un peu de sucre. Aussi, un croissant de fromage. — Entreguei o cardápio nas mãos do garçom, que anotava meu pedido rapidamente e sorri, agradecendo. —Merci.



María Julieta de la Cruz
avatar

Posts : 12
Idade : 16
Localização : Los Angeles, Estados Unidos

Horned Serpent
Horned Serpent

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Café du Mond

Mensagem por Jean-Auguste Bertrand em Qui Mar 01, 2018 7:23 pm

Riu-se ao ouvir a maneira como a jovem pronunciava as palavras em francês, avidamente levando a mão à boca com o intuito sem sucesso de impedir a mesma de perceber suas gargalhadas, recebendo da mesma um olhar fuzilante. "Desculpa, mas é engraçado. Mas confesso que meu italiano é pior, apesar das suas tentativas de me ensinar", afirmou, divagando sobre as tardes em que passaram juntos tentando lecionar um ao outro seus idiomas natais. De súbito, fora tomado por uma expressão séria ao relembrar de suas questões pessoais. Não conseguia mentir para a garota, e, se o feito, a mesma perceberia com eficácia. "Não te escondo nada, não é?", indagou, em seguida agradecendo ao garçom que repousava seus pratos sobre a mesa. Levou um petit four até a boca, instintivamente afastando sua xícara de café para mais próximo da moça, como sempre fez desde a infância. Não gostava muito de café, contrariando-se à Lilliana.

Lançou-a um olhar distante, pensando se continuariam próximos após seu ingresso na máfia. Sorriu, sem jeito, relembrando as vezes em que a menina citou frases de livros e filmes como "O Poderoso Chefão" ou "Scarface", incitando humorosamente como gostaria de ter um namorado envolvido com tais atividades. Sentiu seu coração bater mais forte ao pensar na possibilidade de tê-la para si, sendo interrompido pelo par de olhos castanhos que o encaravam, sedentos por informação. "Então... Vou jogar as cartas na mesa", iniciou-se, hesitando um pouco e diminuindo o tom de voz para que os outros não ouvissem. "Papai me convidou para trabalhar com ele... Na Milieu...", olhou para baixo, temente pela resposta da garota. "Não é algo muito admirável, confesso. Mas temo suas atitudes se negar sua palavra", suspirou, evidenciando a faca de dois gumes a qual havia de segurar naquele momento. "Entendo se não quiser mais ser minha... amiga", ditou, involuntariamente franzindo o cenho ao pensar em sua vida sem a moça.


jean-auguste rené bertrand
Jean-Auguste Bertrand
avatar

Posts : 21
Idade : 18
Localização : Paris, França

Ficha Mágica
Ano Escolar: Concluido
Nível do Personagem: Trasgo Trasgo
Casa: Noble

Sociedade Magica
Sociedade Magica

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Café du Mond

Mensagem por María Julieta de la Cruz em Sex Mar 09, 2018 11:27 am




Hello Sweetie

Not a spoiler!


Olha só, eu não sei se você se esqueceu, mas eu estudei na mesma escola que você, na mesma época, entendeu? Não tem direito nenhum de falar mal do meu francês.  — Rebati diante das risadas, quase agressivamente e dando um pteleco no meio de sua testa. Eu não detestava o francês, aliás, eu não detesta idioma nenhum. Mas custou-me aprender ele logo nos primeiros meses que cheguei a Beaux. Poderia citar inúmeras dificuldades, como os plurais e a forma como se diz a sua idade ou o ano que nasceu por exemplo, mas não quero denegrir a língua de um país com tanta história e beleza.

Pessoalmente, eu estava torcendo para que o pteleco ficasse vermelho, e ele adquirisse uma bela mancha entre as sobrancelhas, e então eu poderia rir da sua cara de pateta quando visse aquele pequeno acúmulo de sangue na região. Mas apesar de ser mais branco que eu, isso não aconteceu. Não fiquei frustrada, porém decepcionada e aliviada ao mesmo tempo comigo mesma, pois eu não havia o ferido e nem havia me "vingado" de seu deboche.

Você nunca consegue esconder nada de mim, Jean.  — Disse, num tom mais baixo, quase sussurrando. Levei as mãos a seu rosto, segurando suas bochechas.  — Porque, de uma forma ou de outra, a verdade sempre chega a mim, em se tratando de você. — Encarei-o outra vez, para que percebesse que minha preocupação era muito mais do que uma mera questão de manter e fortalecer nossa amizade. Eu me preocupava de verdade com ele, queria poder voltar a ficar mais próxima, como antes, mas quando você sai de casa, precisa assumir suas responsabilidades.  — Você não está bem, e eu sei disso porque é mais claro que o sol em você. Qualquer um perceberia isso.  — Escorreguei as mãos para as dele, segurando-as e apertando para confortá-lo.  — Você sabe que pode me contar qualquer coisa, que eu vou te apoiar e conversar e com você sobre. Qualquer. Coisa.  — Enfatizei, esfregando meu polegar na pele das costas de uma das mãos. Eu sempre me achava preparada para qualquer bomba que caísse sobre meus ombros, mas muitas vezes percebi que nunca estava preparada para nada quando acontecia.

O quê?!  — Falei, um pouco mais alto do que deveria, atraindo alguns olhares assustados e outros mau humorados.  Me aproximei mais dele, não sem antes olhar por toda a cafeteria, caso alguém nos ouvisse. E então comecei a falar baixinho, puxando seu rosto para mais perto do meu.  — Do que diabos você está falando Jean? Ficou maluco??  — Levei a mão ao cabelo, coçando uma parte do couro, coisa que sempre me acometia quando estava sob fortes emoções ou pensamentos conflituosos e preocupantes.  — Eu não vou te abandonar Jean. Mas, creio que como ninguém, você deva saber o que acontece com alguém que entra na máfia.  — comentei indiretamente, preocupada caso desse na cabeça dele de querer sair da noite pro dia. Não podia ter meu melhor amigo "apagado" por saber de mais, mesmo sendo filho do cara.  — Ah meu filho, você é tão novo. — Levei a mão a seu rosto, acariciando com as costas da mão.  — Me parte o coração você ter feito essa escolha, e mais ainda o fato de não ter tido chance de recusa. Sabe que agora deverá levar uma vida solitária, qualquer um que seja próximo de você, ou conhecido seu corre perigo, até mesmo seu pai, que já te colocava em perigo só por...bem, você sabe.  — Eu me recusava a dizer que o pai era o cabeça, não queria admitir.  — Mas vou continuar sendo sua amiga, mesmo que isso ponha minha vida em risco.  — por você..


María Julieta de la Cruz
avatar

Posts : 12
Idade : 16
Localização : Los Angeles, Estados Unidos

Horned Serpent
Horned Serpent

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Café du Mond

Mensagem por Jean-Auguste Bertrand em Sex Mar 09, 2018 6:58 pm

Jean soltou ainda mais risadas após ser levemente golpeado no centro de sua testa pela jovem, levando a mão até a área atingida instintivamente. "Ei!", exclamou, um sorriso brincalhão tomava conta de seus lábios. Entretanto, voltou a abordar uma expressão mais séria ao mudarem de assunto. Jean não conseguiu esconder seu nervosismo ao perceber a surpresa da garota, olhando para baixo inconscientemente numa maneira de escapar daquela situação desagradável. Voltou a encarar seus doces olhos castanhos ao escutar o tom cativante de sua voz tentando reafirmá-lo. Fitou-a com um sorriso tímido, sentindo seu coração bater mais rápido ao ter seu rosto novamente envolvido por suas mãos macias de menina. Levou uma mão até seu pulso, acariciando-o de leve num gesto carinhoso. "Lily... Eu não sou tão ingênuo quanto pensa. Não mesmo. Não precisa se preocupar com isso", sentiu novamente suas mãos quentes entrelaçarem-se às suas próprias, respirando um pouco mais rápido. O que estava acontecendo? Lily era sua amiga. Apenas isso.

Suas últimas palavras foram como música para seus ouvidos. Estava aliviado em saber que a garota não se afastaria. Mas ainda tinha medo de pôr em risco sua preciosa vida, e precisava encarar tal situação como um homem, não um garoto. Talvez realmente tivesse de se afastar. "Eu fico feliz que você estará ao meu lado", disse, aproximando-se da jovem. "Mas quero que saiba que há a possibilidade de eu me tornar alguém diferente. E não quero que se machuque. Por isso eu decidi...", suspirou, temente à si próprio. Havia pensado muito sobre isso. Decidiu fazê-lo pois a possibilidade de não poder mais a encontrar era fatal, por questões de segurança. Porém, decidiu seguir seus instintos. E pela primeira vez, não se arrependeu de uma atitude impulsiva. Aproximou-se mais um pouco, suas mãos ainda seguravam as pequenas e delicadas mãos de Lilliana. Encarou seus belos olhos mais uma vez, temente que fosse a última. E por fim, juntou seus lábios quentes aos da moça, envolvendo sua face com firmeza. Milhares de pensamentos invadiram sua mente naquele momento, mas a única coisa em que conseguira pensar era o quão forte seu coração batia. Não queria se afastar dela. Nunca mais.


jean-auguste rené bertrand
Jean-Auguste Bertrand
avatar

Posts : 21
Idade : 18
Localização : Paris, França

Ficha Mágica
Ano Escolar: Concluido
Nível do Personagem: Trasgo Trasgo
Casa: Noble

Sociedade Magica
Sociedade Magica

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Café du Mond

Mensagem por María Julieta de la Cruz em Dom Mar 18, 2018 5:54 pm




Hello Sweetie

Not a spoiler!


Eu sei Jean. Eu sei — eu fingia que sabia, mas me recusava a admitir — Mas você sabe também que eu me preocupo com você, não posso deixar de fazer isso. Eu te conheço desde os 11, temos praticamente uma vida inteira juntos. Sabe muito bem que eu sempre estive do seu lado, dia e noite — não literalmente, é claro — que eu estive com você em quase todo os momentos durante a época da escola. Não me preocupar com você é um luxo o qual eu não me permito ter. — respondi enquanto percebia ele circular meu pulso com sua mão e esfregar o polegar na minha pele. —Vou parecer muito egoísta agora, talvez até arrogante, mas eu sou sua segunda mãe. Aquela que acompanhou de perto, mais de perto do que a primeira, em todos os aspectos. — Sorri. Um sorriso quase pervertido, se eu não houvesse me controlado, e pouco apropriado para o momento. Não eram poucas as experiências que dividimos juntos, não conseguia lembrar de nenhum momento de minha vida em que Jean não tivesse feito pelo menos uma pontinha. Tínhamos muitas memórias juntos da época da escola, e elas não seriam as últimas, se Deus permitisse.

Inclinei-me mais para a frente, puxando o banco onde estava sentada. Meu desejo mesmo era poder levar Jean para minha casa, deixar ele escondido das vistas do pai e nunca mais pôr os pés na frança o na Itália novamente. Arranjaria uma nova identidade para ele e algum emprego simples nos Estados Unidos, mas não sabia como ele iria reagir, a decisão dele foi uma armadilha, porque ele sabe que não havia uma alternativa que o beneficiasse. Você foi coagido por seu pai a aceitar essa merda. Era minha vontade de dizer, mas não queria ser tão grosseira com ele, sempre fomos muito educados um com o outro, não era agora que eu iria estragar nossa amizade. — Eu sempre vou estar ao seu lado, você sabe disso. — respondi outra vez, alisando seu rosto outra vez. Espere, eu já não estou tendo contato corporal demais com ele? — não precisa me agradecer, é o mínimo que eu posso fazer. — retirei a mão, tomando consciência da evolução de atitudes tomadas por mim durante a conversa. — decidiu o quê? — pergunto, aflita, pois ele havia interrompido a frase no meio caminho...

Para me beijar?!

Jean o que você está fazendo?! Gritava minha mente, totalmente confusa por aquela atitude. Numa hora estávamos discutindo seu futuro, e os rumos que ele tomaria, e então do nada ele me beija?? Isso é mesmo possível?? Eu queria nos separar, perguntar o que raios ele estava fazendo. Mas eu não recuei, eu parti para cima, e correspondi ao beijo, como se algo dentro de mim esperasse por aquele beijo há muitos anos. Não é como se não tivéssemos nos beijado antes, mas aquele era diferente, tinha algo de verdadeiramente especial que eu não estava compreendendo, e talvez por isso meu cérebro tenha entrado em choque.

Levei a mão esquerda a seu rosto novamente, com a direita agora deslizando por seu peito por cima da camisa e indo em direção ao ombro. O beijo se intensificando mais do que deveria — e do que era permitido em público talvez —. Havia algo de desesperado e triste naquele beijo, como se fosse um beijo de despedida.



María Julieta de la Cruz
avatar

Posts : 12
Idade : 16
Localização : Los Angeles, Estados Unidos

Horned Serpent
Horned Serpent

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Café du Mond

Mensagem por Jean-Auguste Bertrand em Ter Mar 20, 2018 5:29 pm

Jean sentia seu coração pulsar cada vez mais depressa. Finalmente havia tomado coragem para beijá-la; após tanto tempo imaginando que seus sentimentos não seriam correspondidos, o rapaz sentia-se vibrar por dentro ao descobrir que seu amor era, de fato, recíproco. Acariciava a bochecha de Lilliana gentilmente com seu polegar, em seguida se afastando por um momento. A encarou mais uma vez esboçando um sorriso cativante. “Eu não sei se vou ter outra chance, Lily, por isso quero deixar bem claro...”, dizia, alcançando a mão da garota e a apertando com firmeza. “Eu te amo” suspirou, sendo interrompido por um ruído alto; algo havia estilhaçado os vidros do Café. Sentiu seu ombro queimar, como se algo o houvesse atravessado em grande velocidade. Levantou-se, avidamente segurando Lilliana para perto de si. Mas já era tarde; os dois haviam sido atingidos. Jean levou sua mão ao ombro ferido, manchando a mesma com seu sangue fresco. Ouviu Lilliana queixar-se de algo, franzindo as sobrancelhas em desespero ao visualizar a mancha vermelha em sua coxa direita, instintivamente recolhendo-a em seus braços e tentando compreender a situação a qual passavam. “Merde!”, rugiu ao perceber o Citröen Traction Avant estacionado próximo à fachada do local, ouvindo os ruídos estrepitosos das balas atravessando as vidraças. Reconheceu o veículo instantaneamente. Correu para os fundos do estabelecimento com a moça em seus braços e escondendo-se atrás do balcão. “São eles. Os Canards. Papai me disse que tinham desavenças. Empréstimos mal resolvidos, sei lá” arfou, retirando seu cinto e o amarrando em torno da coxa da garota. “Tem que estancar”, disse, pressionando o ferimento com as mãos sobre o couro do cinto. “Eu vou te tirar dessa. Desculpa, é tudo culpa minha”, balançou a cabeça em negação, sentindo o peso da culpa cair sobre seus ombros. Iria fazer de tudo para mantê-la segura, nem que tivesse que morrer pela mesma. Alcançou o pulso da garota em um instante, beijando as costas de sua mão num gesto carinhoso. “Eu vou te tirar dessa, juro pela minha vida”, sussurrou, encarando a mesma com uma mansidão insólita.


jean-auguste rené bertrand
Jean-Auguste Bertrand
avatar

Posts : 21
Idade : 18
Localização : Paris, França

Ficha Mágica
Ano Escolar: Concluido
Nível do Personagem: Trasgo Trasgo
Casa: Noble

Sociedade Magica
Sociedade Magica

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Café du Mond

Mensagem por María Julieta de la Cruz em Sab Abr 28, 2018 11:31 pm




Hello  Sweetie

Not a spoiler!


Se eu sabia que ele gostava de mim? Talvez. Pode ser que, em algum momento de nossas vidas, eu percebi que o que ele achava ter comigo era bem mais que uma simples amizade, mas eu estava tão focada em...sei lá, na escola, no meu futuro talvez, que nem percebi isso. Ainda bem que nunca é tarde demais para se descobrir algumas verdades. 

Coloquei ambas as palmas das mãos em seu peito, que subia e descia rapidamente, como se Jean houvesse acabado de correr a maratona de Boston, afastando-nos um do outro calmamente. Respirei fundo, recuperando o fôlego, tentando processar da maneira mais rápida e clara possível o que havia acontecido ali. O sabor de sua boca ainda estava forte nos meus lábios, e eu não estava com medo de que não desaparecesse. 

Como é que é?? — Questionei, confusa mais ainda. Me ama? Impossível. Quero dizer, não tanto assim, várias pessoas me amam, mas não esperava isso vindo dele. — O que você quer dizer com "me ama"? — Fiz aspas com os dedos, enfatizando as duas palavras. — Porque essa frase pode ter um sentido muito abrangente e-

Quantas malditas vezes eu seria interrompida ainda hoje??

É estranho sentir a morte indo até você. É como se o mundo de repente ficasse em câmera lenta, e só você percebesse isso, pois todos os outros estariam congelados. O vento que jogou meu cabelo para o lado oposto era um vento que trazia cheiro de pólvora e de sangue, talvez não meu, mas com certeza de Jean. 

Só tive tempo de escutar o som dos vidros se estilhaçando ao redor de nós: na enorme janela do café, e nos copos e xícaras arrumados nas prateleiras. Não precisei pensar duas vezes para saber o que aquilo significava, imediatamente agarrei Jean pela camisa e me joguei no chão com ele, enquanto o mesmo reclamava sobre algo que naquela hora parecia totalmente inútil, pois se não morrêssemos dos tiros disparados, com certeza seria dos cacos de vidro que choviam sobre nós. 

Abracei sua cabeça contra meu corpo, para garantir que ele não ousasse fazer a besteira de olhar para a direção dos tiros, e vi uma crescente mancha avermelhada ensopar sua camisa. Naquele momento percebi que ele havia sido atingido, e o pânico tomou conta de mim. 

Larguei-o empurrando para minha lateral, escorregando a mão rapidamente em direção a minha perna para puxar a varinha. Sei que não era nenhuma medibruxa, mas talvez pudesse arrancar a bala, se estivesse alojada e estancar o sangramento com o retalho mais próximo, mesmo que ele fosse parte do meu vestido. Mas ao invés de encontrar o objeto, tudo que senti foi algo quente e molhado em minha perna, e um certo frio invadindo meu corpo, enquanto via os outros clientes caírem no chão como sacos de farinha vazios. 


Tudo o que se seguiu foram flashes de memória: lembro de ver minha mão vermelha de sangue, sangue que não sabia se era meu ou de Jean, e de ser erguida por ele. Eu deveria estar em choque naquele momento, porque nada se passava pela minha cabeça, nenhuma misera ideia, um pensamento ou qualquer coisa do tipo. Tudo parecia em câmera lenta, como se durasse anos. Em um momento Jean estava com a cabeça no meu colo, e de repente estávamos do outro lado do balcão, onde o garçom que nos atendeu momentos antes jazia sem vida ao nosso lado. Trêmula e muito provavelmente pálida, segurei a mão de Jean quando ele a pegou e puxei em direção ao meu rosto. Por quê eu fazia aquilo? Sinceramente, nem eu sei, mas nessas horas, não há explicação para nada. 

Você não precisa se desculpar por nada Jean. — Murmurei, mais para mim do que para ele, numa tentativa inútil de impedir que ele saísse dali. 


María Julieta de la Cruz
avatar

Posts : 12
Idade : 16
Localização : Los Angeles, Estados Unidos

Horned Serpent
Horned Serpent

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Café du Mond

Mensagem por Conteúdo patrocinado

Conteúdo patrocinado



Voltar ao Topo Ir em baixo

Página 2 de 2 Anterior  1, 2

Ver o tópico anterior Ver o tópico seguinte Voltar ao Topo

- Tópicos similares

 
Permissão deste fórum:
Você não pode responder aos tópicos neste fórum