Quarto de Skadi e Uller

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Quarto de Skadi e Uller

Mensagem por Antonella Chamber. McCain em Sab Fev 17, 2018 6:16 pm


Quarto de Skadi e Uller

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Re: Quarto de Skadi e Uller

Mensagem por Sigyn Hërrstedt Ahlstrand em Qui Mar 15, 2018 12:45 pm

Eu adorava dias chuvosos. Não por causa do clima frio, do fato de passar mais tempo dentro de casa, das comidas e bebidas quentes ou qualquer outra coisa característica. Mas da cor que o céu ficava.

Desde criança meus pais entendiam perfeitamente que tudo o que fosse associado a mim deveria ser em tons de branco, cinza ou preto. Não, eu não era uma criança com problemas de relacionamento familiar, não sofri bullying na escola ou qualquer outro tipo de coisa, é apenas que essas cores me interessam muito quando aplicadas em um ambiente. Você já viu como fica super iluminado um quarto todo em branco? É perfeito.

Mas não estamos aqui para falar sobre as cores que eu gosto ou design de interiores, estamos aqui para falar do dia em que mil sonhos morreriam e um único sonho nasceria. Ao menos na visão dele.

o tempo chuvoso era quase tão pior dentro daquele universo do que em seu exterior. A chuva que assolava aquelas terras não era uma chuva comum, era o tipo de tempestade que qualquer um diria “o mundo vai se acabar debaixo de água” e mal se enxergava 3 palmos à sua frente, as gotas, grossas como pequenos tiros, açoitavam a pele da garota, ensopada até os ossos.

Ela levou o braço em direção a testa, na expectativa de ver onde estava pisando, e ao olhar para baixo viu que apenas um vestido branco rodado a cobria, a lama sujava entre seus dedos, e ela podia sentir os grãos da terra esfoliando sua pele quando esfregava os dedos uns nos outros.Desejou ter um par de sapatos para proteger os pés — estava acostumada a ter sonhos lúcidos, na maioria das vezes conseguia fazer pequenas intervenções — porém nada mudou,e com uma leve frustração deu-se por vencida.

Tornou a caminhar sem rumo certo pela chuva, os cabelos escorridos no rosto e o corpo tremendo com o frio — até mesmo os dentes, afundando os pés em poças de lamas diversas vezes, até deparar-se com uma sombra que se destacava em meio a chuva. Depois de tanto tempo caminhando com a visibilidade tão baixa, não pensou duas vezes em seguir em sua direção, percebendo aos poucos, que se tratava de uma caverna.

Até então, a garota não havia percebido que, o que achava ser um sonho, era na verdade uma visão. Ela não conseguia ver que seus sentidos e sua consciência estavam incrivelmente aflorados naquele instante. Afinal, não é comum ter-se a sensação de estar com frio e molhada de chuva dentro de um sonho.

“Um abrigo!” pensou consigo mesma, aliviada por ter a oportunidade de escapar daquela tempestade. Correu até a entrada, sujando a barra do vestido de respingos de lama e correndo o grave risco de escorregar e cair, uma possibilidade que não se passou por sua cabeça, visto que estava cega pela chance de escapar da chuva e se abrigar.

Ao entrar na caverna, o som da chuva se dispersou. Ela olhou para trás, mas a chuva havia sido substituída por um vazio escuro sem fim. Seu medo de se arriscar a tocar o vazio e de uma consequência assustadora, mesmo para um sonho que agora se tornava um pesadelo, a fez recuar para o interior da caverna, dando dois passos para trás, quase tropeçando em uma pedra.

A menina virou-se de frente para o lado de dentro da caverna, que diferente do que estava a suas costas, era iluminado por um ponto de luz ao redor de mais escuridão. Entre um escuro profundo e um escuro com luz no final, a garota optou pela segunda alternativa.

Enquanto caminhava, embrou-se da frase ‘não siga a luz’ que indicava o suposto caminho que uma alma percorreria até o além, e o pensamento de estar morrendo enquanto dormia passou por sua cabeça, gerando um leve pânico. Ela sempre acreditou que morreria de forma honrosa, como sua família esperava, e iria para Valhalla, jantar à mesa dos heróis e esperar o Ragnarok treinando diariamente.

Ela não ligava para o significado de seu nome, como a maioria de suas irmãs, por mais que a mãe dissesse que eram enviados dos deuses. Respeitava as crenças, mas duvidava profundamente da veracidade daquela afirmação, mesmo não demonstrando. Só de pensar que estava destinada a casar com um deus amarrado em uma rocha, e recolher o veneno que pingava de uma cobra em seu rosto, a fazia pensar em como as pessoas de quem descendia eram tolas ao ponto de acreditar em tamanha sandice. Pensar em tal besteira a fez se sentir um pouco mais aliviada, mal percebendo que a luz aumentava conforme se aproximava.

Com a luz, vinha a voz. Vozes, duas. No início um cochicho, mas que logo começou a aumentar e adquirir tom. Agora ela conseguia discernir as palavras antes emboladas por estarem muito distantes, a iluminação também crescia em proporção equivalente, e quando percebeu que estava próxima demais, recuou de  forma que a luz não a atingisse. Não queria interromper a conversa, sentindo-se curiosa em saber sobre o que se tratava, mesmo que não estivesse distorcida ou confusa — outro fato que evidenciava que se tratava de uma visão, mesmo que não soubesse disso ainda.

Eu quero trazer o Ragnarok. — Disse uma das vozes, curta e direta. Um riso maldoso se fez presente, advindo de outra voz, com quem a dona da primeira conversava.  
Você é uma criatura muito sonhadora. — Repreendeu a segunda voz, baixa e venenosa como o silvo de uma cobra. — Por que o repentino interesse? — O silvo de ácido pingando contra uma superfície preencheu o ar, e um grunhido de dor acompanhado do som de correntes ecoou pela caverna. Lá fora, a terra tremeu por breves segundos, criando rachaduras superficiais e assustando animais.
Posso apenas dizer que os eventos recentes estão relacionados ao plano arquitetado por mim. — O sorriso que a primeira voz deu é claro como cristal na imaginação da garota, mesmo que não tenha visto.
Seu plano? — A segunda voz ri alto, debochando do parceiro da conversa. — Você não é capaz de planejar nem um jantar sem esquecer o nome dos convidados.

Neste momento um som incapaz de ser descrito, mas que assemelha-se a alguém que irritou-se toma seu lugar no diálogo. A primeira voz agora é mais grave, evidenciando sua raiva diante da piada.
Não finja-se de idiota, Loki. Qualquer um sabe que você é louco para sair deste buraco e vingar-se dos deuses com as próprias mãos. O Ragnarok só lhe favoreceria. Preciso da sua ajuda.

A menina surpreendeu-se com o nome, assustada com a mísera possibilidade daquela conversa ser real (fruto de suas paranoias, que apareciam sem aviso e prévio e levavam-na para diversas espirais de pensamento), supondo que sabia do que se trata quando se falou em  “acontecimentos recentes” a que a primeira voz se referia. A ideia que passa por sua mente naquele instante traz mais peso a conversa que estava ouvindo. Ela inspira o ar pela boca, emitindo um ruído agudo momentos antes de levar a mão aos lábios. O ruído é suficiente para que a conversa seja interrompida e as duas vozes se calem, prestando atenção ao ambiente que as cerca.

Segundos se passam enquanto os dois lados esperam algum deslize um do outro. Como mais nenhum som se fez presente no ambiente, as vozes retornam a conversa:
E Por que eu deveria te ajudar? Considerando que eu tivesse uma ideia tão estúpida como essa é claro, se eu poderia pedir ajuda a qualquer um outro?
Porque meu casamento é em duas semanas, e creio que você já saiba o nome da noiva.
A segunda voz suspirou tediosamente, pronunciando-se: — Então se apresse. E tenha cuidado com a filha da irmã de sua noiva, Sigyn, ela está ouvindo tudo.

Uma batida falhou no peito da menina, havia sido descoberta. Há quanto tempo haviam notado sua presença ali, escondida como um rato? O susto por ter seu nome citado revelou todo o seu disfarce: a garota pôs-se a correr o máximo que podia, provocando som de passos e suspiros pesados, em direção ao local por onde havia entrado.  

Um dos homens virou-se. Este era o que estava em pé e carregava uma espécie de tocha na mão. A menina pôde ver sua sombra vindo na sua direção a passos rápidos. Quem quer que ele fosse, não a chamaria para participar da conversa. Seu semblante era de alguém que estava furioso por ter sido descoberto, e não estava disposto a aceitar um pedido de desculpas.

Volte aqui garotinha. Só quero fazer algumas perguntas. — Disse o homem que a perseguia, tentando soar convincente. Àquela altura, a garota já corria pela caverna semi escura, pobremente iluminada pela tocha atrás de si, tropeçando e chocando-se com as paredes do local diversas vezes, adquirindo cortes e arranhões que se abriam em sua pele ainda em sua cama. A informação de que agora tinha conhecimento era pesada por demais para carregar sozinha, precisava compartilhá-la com alguém, mesmo que parecesse falsa.

A caverna chegou ao seu fim. Atrás dela havia um homem louco querendo capturá-la e um provável deus aprisionado em uma rocha, sedentos para silenciá-la. À sua frente, o vazio desconhecido.
Não havia muita chance de escolha: se fosse pega, só as Nornas saberiam seu destino. Se optasse por mergulhar no escuro, não saberia o que a esperava. Entre a cruz e a espada, a salvação veio de cima.


Fui arrancada da visão graças a vizinha do apartamento de cima, que muito provavelmente derrubou algo no chão. Minha mãe sempre reclamava dela, mas dessa vez eu tinha que agradecê-la.

O suor ainda escorria de minha testa, e havia deixado meu pijama todo molhado nas costas. Não aquele suor de quando a gente faz exercício, mas um suor frio, de quem sabe o peso e a dimensão do que acabou de presenciar. Sem pensar duas vezes dei um pulo em minha cama, sentada mesmo, em direção a beirada e saí correndo do quarto, igual aquelas cenas de filmes de comédia. Os vizinhos de baixo que me perdoassem, mas era uma questão de salvar o mundo, literalmente.

Cheguei a porta do quarto com o coração quase saltando pela boca, mais de nervoso do que pelo esforço feito. Eu sentia o sangue pulsando em minha cabeça e meu coração, e fiquei com medo das veias não suportarem a pressão e eu ter um AVC antes que pudesse avisar. Respirei fundo, e com a mão fechada em punho ainda trêmula, dei três batidas suaves na porta, girando a maçaneta em seguida.

Estava fechada, é claro. Como pude esquecer do acidente outro dia? Sorte que não havia sido comigo, ou eu estaria traumatizada pelo resto da vida. Bati novamente na porta, desta vez mais desesperada, não era possível que eles não ouvissem, mas não duvidando de nada, permaneci praticamente socando a porta, até que a mesma finalmente se abriu.

Mal esperei para discernir a figura que surgia diante de mim, eu precisava avisar a alguém, qualquer um que fosse, antes de sei lá, desmaiar de exaustão ou ter um ataque cardíaco. Apoiei as duas mãos nos joelhos, respirando fundo para que os batimentos se normalizassem, e em uma fala extremamente cansada e rouca, anunciei:

o Ragnarok — Inspirei, enchendo os pulmões de ar — tá vindo.
Chapter I
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She said at night in my dreams you dance on a tightrope of weird oh but when I wake up you're so normal that you just disappear you're so straight like commuters with briefcases towing the line
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